Falar de tudo, mesmo que isso cause algumas arritmias.
11 Setembro 2008
Marcas do coração: quem ama, odeia.
Na última semana de agosto participei do Forum Internacional ABA Branding, onde estavam presentes profissionais de marketing de grandes marcas nacionais e mundiais, publicitários e designers. Lá tive a oportunidade de assistir diversos debates sobre construção de marcas e o que (e não) fazer para que os valores agregados às marcas possam gerar relacionamento duradouro com seus consumidores. Quem trabalha nos pequenos mercados sempre se questiona sobre a aplicabilidade dos conceitos do branding pelos pequenos empreendedores. Diz-se que isto demanda grandes investimentos e tempo. Pois bem, mal voltei de São Paulo me deparei com dois exemplos de como se constrói e se destrói marcas de sucesso. Antes de viajar comprei nos Estados Unidos, através da internet, um equipamento náutico. Quando voltei 4 dias depois, pude verificar no site que o produto já havia sido despachado pela Fedex, e fui redirecionado para o site da transportadora. Na página fui informado qual a data que o produto seria entregue e pude cadastrar meu e-mail para ser informado de todos os passos da entrega. No dia seguinte, o centro de desembaraço de mercadorias em Campinas me ligou para informar o valor dos impostos que deveria saldar no ato da entrega. E, para encerrar, o produto chegou às minhas mãos 2 dias antes da data marcada e 9 dias após a compra. Quando me perguntarem numa pesquisa de Top of Mind sobre transportadoras, será óbvia a minha resposta. Pois bem, no dia seguinte, chegou a minha fatura da Unimed, que é um plano de co-participação em que reembolso a empresa em 20% dos custos operacionais dos meus atendimentos. Dois meses atrás, quando a carência do plano ainda estava em vigor, um dos meus filhos precisou de exames médicos especiais que precisavam ser pagos na íntegra antecipadamente. Era a regra do jogo, fui lá e paguei. Quando recebo essa nova fatura, me surpreendo com a cobrança dos 20% dos tais exames já quitados em 100%. Bom, pensei, enganos acontecem. Liguei para o SAC e após expor o problema fui aconselhado a ir na própria Unimed apresentar os recibos desse pagamento anterior, mesmo depois da atendente ter visto no sistema que havia pagamentos anteriores à própria Unimed. Quando questionei a possibilidade de ser desorganizado e ter perdido os tais recibos, ela apenas disse que isso é comum e nesses casos tem mesmo é que pagar. Como eu tinha todos bem guardados, enfrentei o trânsito, o calor e uma fila para conseguir restabelecer a verdade. Quando me fizerem a mesma pergunta do Top of Mind, deverei responder Unimed, dessa vez por motivação negativa. Isso traz uma reflexão importante sobre o critério das pesquisas sobre lembrança de marcas. A linha que separa o amor e o ódio às marcas é tênue.
O crescente noticiário brasileiro sobre criminalidade nos faz repensar o que leva alguém a cometer um delito. Fala-se muito que a falta do que comer e de estudo seriam os principais motivos para isso. Mas quando vemos casos como o da família Nardoni, ficamos perplexos em busca de um motivo plausível para tanto. Os crimes são tantos que acabamos só dando importância àqueles que tiram a vida de alguém e, ultimamente, à corrupção. Os "pequenos" delitos como levar furtivamente um produto de uma loja ou um objeto de decoração de um bar passam despercebidos. Estabelecendo um paralelo para trazer este tema para o espaço desse blog, não consigo deixar de ver como crime copiar idéias em propaganda. Não me refiro aos conceitos cada vez mais parecidos que surgem em diversas partes do mundo, onde suponho várias pessoas estão pensando a mesma coisa, fruto da globalização da informação. Me preocupa a simples cópia, ctrl C / ctrl V. Os anuários, digitais e impressos, circulam em agências de propaganda para que a equipe criativa tenha contato com as tendências utilizadas mundo afora. Daí, essa pesquisa servir apenas para copiar, partes ou até mesmo tudo, é um desrespeito com aqueles (agência e anunciante) que contratam esse tipo de profissional(?!). Concluo que o sentido de propriedade deste indivíduo está totalmente avariado, não vê diferença entre o que é seu e do outro e coloca em dúvida toda originalidade do seu portifólio. Na busca de fazer diferente, ele faz igual.
Acreditem, no último dia 8 de junho, pelo menos 6 cartazes parecidos com esse estavam fixados nos vagões do Expresso do Forró. O trem faz o percurso Campina Grande / Galante / Campina durante os finais de semana juninos.
Há poucos dias atrás, foi tema dos noticiários nacionais o grande número de vagas não preenchidas no mercado de trabalho por falta de qualificação de mão-de-obra especializada. Essa tendência já detectada pelas instituições de ensino superior está sendo suprida com a oferta numerosa de um sem número de cursos de pós-graduação de toda ordem, isso para não falar que daqui algum tempo, imagino, todas as cidades do país vão ter sua escola de graduação. Esse fenômeno nos leva a uma triste constatação, o binômio qualidade x oferta está bastante desequilibrado para o segundo. Ou, a qualidade desse profissional especializado deixa muito a desejar. Um pequeno exemplo disso, é a recente decisão da empresa que explora espaço publicitário nos veículos de transporte coletivo na Paraíba e Pernambuco. Estão recusando campanhas de motocicletas, sob o argumento que estes anúncios retiram passageiros dos ônibus. Provavelmente, alguém com MBA de Marketing, ao aplicar o modelo de Porter no sistema de transporte público, decidiu levantar barreiras aos entrantes do sistema de transporte. Imaginem se as TVs abertas fossem impedir as operadoras de TV por assinatura, ou mesmo rádios, de anunciar. Essa medida que apenas denotaria uma miopia do negócio serviria apenas para diminuir o faturamento desses veículos sem nenhuma contrapartida compensatória. As empresas de ônibus, ao invés de investir na implantação de novos itinerários e na qualidade do serviço, resolveram agir com autoritarismo ao estabelecer a censura, esquecendo que este negócio é uma concessão pública e portanto passível de fiscalização dos órgãos competentes.
Até às 21:45 do dia 10/09/2007, esse cartaz, ainda sem revisão, estava exposto no interior da Loja Riachuelo - Manaíra Shopping (João Pessoa-PB).
Nas últimas 2 semanas, nos debatemos na agência com o velho problema recorrente de ter que reimprimir por nossa conta alguma peça por erro de revisão. Discute-se muito quem paga a despesa, agência ou o profissional responsável pela falha. Até a publicação deste post, sempre ficou para a agência, argumentando-se que a criação trabalha sob pressão e não pode arcar com essa responsabilidade. Como o anunciante não tem nada com isso, seria essa a melhor solução?