O raio cai 2 vezes no mesmo lugar?
Inicio o post de retomada do blog após 3 anos de inatividade, desculpando-me com meus eventuais leitores. Durante esse tempo, minha veia polêmica esteve garrotada e assim não me senti à vontade para escrever, provavelmente por falta de assunto. Assim, pesquisando no Google, fonte inesgotável, confirmei que sim, é possível um raio cair duas vezes no mesmo local, desde que as condições metereológicas e ambientais se repitam. Mas o que tem esse incidente da natureza com esse blog?
Muito tem-se discutido nas últimas semanas sobre um possível plágio da W/McCann de uma campanha criada pela Superliga66 para a Aliança Francesa. A agência paraibana se manifestou oficialmente sobre o caso e meio que veladamente exige que a campanha da agência paulista seja retirada do ar. Isso tudo me fez refletir sobre o assunto e tenho pontos de vista bastante claros sobre tudo. O mérito da SL66 é ter-se apropriado de um senso comum, a bela sonoridade da língua francesa, traduzido "em francês tudo soa melhor". E por isso ganhou vários prêmios, amplamente divulgados, por conta de ter utilizado originalmente o partido temático. Eric Solzer, diretor de criação da McCann, sem querer polemizar diz no site CCSP que Nossa conclusão é que a equação: mesmo cliente + briefing quase igual, resultou em abordagens parecidas.
Não tínhamos conhecimento da versão paraibana, nem tivemos qualquer má intenção. Acredito que isso seja possível, sempre tem mais gente pensando a mesma coisa em diversos lugares. Quantas vezes na nossa vida, sejamos publicitários ou não, temos uma ideia e quando vamos pesquisar alguém já a teve, ou mesmo durante a execução lenta da mesma, nos deparamos com alguém usando-a? Tenho um pequeno exemplo particular sobre o assunto. Em 2005, a premiada agência inglesa BBH criou uma agência com o mesmo nome da nossa. E mais, o mesmo conceito when the world zigs, zag. Cinco anos antes quando criamos a Zag, começamos pelas iniciais dos sócios Zeh, André e Gralio, que permitia também Gaz. Optamos pela primeira porque conceituamos a agência enquanto os outros estão zig, nós estamos zag, uma releitura do senso comum enquanto os outros vêm com os cajus, nós já estamos com as castanhas. Devo acreditar que os premiados ingleses nos copiaram ao tomarem partido de um senso comum?
Para finalizar, relembro que em 1970 foi lançado o filme Como era gostoso o meu francês, dirigido pelo premiado diretor Nelson Pereira dos Santos, ainda vivo. Será que é possível ele reclamar algum crédito nessa discussão? Como bem disse a microblogueira Cláudia Aires, SL66 utilizou primeiro e deve ficar orgulhosa disso. Até porque a McCann não foi premiada por conta disso, isso sim seria condenável. C'est la vie!




